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Quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Alucinação - Parte II

(fonte: https://www.flickr.com/photos/54602205@N00/2320157196)

 

O dia estava de sol, mas um sol tão forte que nem dava vontade de brincar na rua àquela hora. Tinha ouvido dizer que os soldados às vezes pagavam algumas moedas em troca de pequenos favores. Lavar alguns tachos, lavar roupa, engraxar botas… Eu era muito pequeno, mas naquele dia senti-me desafiado a saber se também seria capaz de arranjar algumas moedas. Enchi o peito de coragem e fiz-me à estrada em direção ao acampamento mais próximo.

 

O caminho atravessava uma aldeia de onde já só sobravam destroços. Costumava passar depressa para não sentir os cheiros e não guardar memórias, mas naquele dia algo me atrasou o passo. Pensei ter ouvido uma voz no meio daquele silêncio deserto. O meu coração acelerou o próprio passo, mas olhei em volta e não vi ninguém. Voltei a pôr os olhos no caminho.

 

Naquela imagem havia agora algo de diferente. Deparei-me com um brilho estranho vindo do que pareciam ser os restos de uma casa na encosta, ao meu lado direito. Aproximei-me. Numa pequena fresta vi uma pedra brilhante de tom esverdeado. Brilhava como que refletindo os raios de sol. Intrigou-me como teria ali chegado e como ninguém se apercebera dela antes. Estendi a mão na direção daquele objeto aparentemente valioso e colocando-o no bolso voltei ao caminho.

 

- Pedro... - Novamente se ouviu uma voz, mas agora parecia bem mais próxima. Tão próxima que me voltei bruscamente, julgando ter alguém imediatamente atrás de mim. Mas não havia lá ninguém. Estava a começar a ficar intrigado e assustado. Então percebi que uma luz intensa saía agora do meu bolso, uma luz tão forte que feria o olhar. Peguei na pedra e eis que começou a falar:

 

- Pedro, não te assustes. Tu encontraste-me. Há muito que nenhumas mãos me tocavam mas tu encontraste-me. 

 

(...)


by anamar às 15:58

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Alucinação - Parte I

(fonte: http://lounge.obviousmag.org/universo_paralelo/2014/04/05/kiev4.jpeg)

 

Tinha acabado de deitar o pequeno João na cama do quarto de visitas e dirigi-me para o meu quarto. Entrei e fechei a porta. Caminhei em paços cansados na direção do sofá e sentei-me, deixando cair o corpo pesado, e onde por instantes permiti que os meus olhos se fechassem e me levassem para longe.

 

De repente ouvi um enorme estrondo que me arrancou violentamente do sofá. Parecia ter vindo do andar de baixo da casa. Talvez da rua. Aquele ruído era-me familiar. Ouvi de novo o que pareceu ser uma explosão. O som repetiu-se. E de novo. Oh não! Estava claro! casa estava a ser bombardeada!

 

O medo apoderou-se de mim e foi como se tivesse voltado quarenta anos atrás. Senti-me imobilizado e impotente. Ao mesmo tempo só pensava que tinha de tirar os miúdos dali. Naquela altura já as crianças estariam em pânico, escondidas de baixo das suas camas e sem entender o que se passava. Corri ao quarto do pequeno João.

 

Apressei-me a entrar. Das frestas da janela percebiam-se enormes clarões alaranjados. As explosões não paravam. Abeirei-me da cama e vi que o João permanecia deitado, como se dormisse. Como podia aquela criança não ter acordado com tamanho ruído?! E se na verdade não estivesse a dormir mas sim inconsciente? Tinha de fazer alguma coisa.

 

- João! Acorda! Acorda João! - Abanei-o num gesto desesperado pedindo que despertasse.

 

- Avô! Avô! O que aconteceu?

- Anda filho, temos de fugir. Anda depressa!

- Para onde, avô? O que aconteceu?

- Não ouves? Temos de fugir!

- O quê? Ouvir o quê? De que estás a falar? Não estou a entender nada!


by anamar às 15:49

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Terça-feira, 1 de Abril de 2014

Um par de sapatos - Parte II

 (fonte: https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSgS69m3QEV6-Errzzu8J2VScZB6BOKLitlZAg5AtYqF7zs4rsv)

 

Anoiteceu. E como todos os fins-de-semana passados com a casa cheia de miúdos a praguejas e a rir, peguei no mais pequeno ao colo, já adormecido no sofá, cansado de tanto brincar no jardim, e subi as escadas do casarão até um dos quartos de visitas. Adorava a casa cheia. Era demasiado espaço para não ser ocupado com gargalhadas juvenis. Pousei cuidadosamente o pequeno João na cama e pareceu-me vê-lo sorrir. A cabeça das crianças é um verdadeiro mistério, um mundo infinito de imaginação.

 

Entretanto, no sonho do João...

 

Cheguei ao final da rua onde finalmente se avistava uma pequena loja, meio que escondida num beco. Parecia um lugar velho e semiabandonado mas donde se vislumbravam alguns pontos de luz artificial através furos da cobertura interior do vidro. Olhei de novo para o papel confirmando o endereço. Parecia ser ali. Nada indicava que se tratasse de uma loja. Não havia sinalética e nem sequer o número da porta era bem visível. Aproximei-me e bati. Ninguém respondeu e quando bati de novo a porta pareceu ceder. Empurrei ligeiramente e chamei:

 

- Olá! Está alguém? Por favor! – Ninguém respondeu. Entrei. Havia uma espécie de balcão e uma série de prateleiras a toda a volta naquela pequena divisão, todas elas preenchidas de objectos que para uns não passariam de quinquilharia velha, mas que outros certamente veriam como verdadeiros tesouros. Era efetivamente aquele o lugar certo para começar procurar os sapatos do meu avô… Aqueles sapatos.

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by anamar às 23:11

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Domingo, 30 de Março de 2014

Um par de sapatos - Parte I

(fonte: http://picture-cdn.wheretoget.it/j5pxwe-l-610x610-high-tops-boots-work-casual-mens-shoes-men-tumblr-cute-brown.jpg)

 

Parte I

 

Recordava aquela imagem em papel amarelecido como se tivesse sido revelado no dia anterior. Todos os dias os soldados por ali passavam e nós, na expectativa de receber alguma coisa, aproximávamo-nos sem nos deixarmos assustar pelas armas e pelas fardas e estendíamos as mãos, pedinchando coisas. Às vezes tínhamos sorte. Recebíamos bugigangas que os meus pais trocavam logo depois por comida ou roupa lavada.

 

Era muito raro andar calçado. Quem tinha essa sorte eram quase sempre os mais velhos, que já sabiam defender-se e não os deixavam roubar. Lembro-me de às vezes ter os pés em ferida porque me cortava nas pedras do chão.

 

Os soldados andavam sempre por ali. Na altura não percebia muito bem o que faziam com aqueles objetos pretos nas mãos. Com o tempo fui percebendo que aquilo tanto nos podia defender como matar, dependendo das mãos que os seguravam.

 

Apesar daqueles tempos terem sido dolorosos, milhares de histórias ficaram para contar.

 

- Avô, avô! Andas de novo a mexer na caixa das fotografias antigas? – E abeirando-se de mim, o pequeno João mergulhou os olhos dentro da caixa de sapatos, preenchida com aqueles pedaços de papel cinzento e amarelo, deitando aquele olhar curioso de quem sabe que ali há mais histórias do que as que o papel conta. Peguei-lhe pelos braços e sentei-o no meu colo.

 

Parte II

 

- Queres ouvir uma história? – E comecei a contar-lhe a história dos meus primeiros sapatos e, no fundo, a história daquela caixa velha.

 

O dia estava de sol, mas um sol tão forte que nem dava vontade de brincar na rua àquela hora. Tinha ouvido dizer que os soldados às vezes pagavam algumas moedas em troca de pequenos favores. Lavar alguns tachos, lavar alguma roupa, engraxar as botas… Eu era muito pequeno, mas um dia senti-me desafiado a saber se também seria capaz de arranjar algumas moedas para levar para casa. Aproximei-me do acampamento mais próximo, enchi o peito de coragem e entrei numa das tendas.

 

Estava escuro e menos quente do que lá fora, embora estivesse um ar abafado. Três homens de farda pareciam absorvidos nas suas tarefas “domésticas”, entre escrita e limpezas. Um deles levantou-se de repente meio surpreendido deixando escorregar a bota que trazia na mão.

 

Parte III

 

- Senhor, posso ajudá-lo com isso?

- Ajudar-me, tu? Mas percebes alguma coisa de engraxar botas da tropa?

- Claro que sim! – Menti. - Sou o melhor engraxador de botas do mundo. – Sorri-lhes.

- Quero ver isso. Chega-te aqui. -  Disse, estendendo-me uma bota e o que parecia ser uma escova preta com os pelos já muito curvados. Peguei nos dois objetos e comecei a esfregar um no outro, com toda a minha força. Os três soldados começaram a rir. Mas quanto mais riam mais eu esfregava.

- Senhor, vou mostrar-lhe que sou capaz de as deixar tão brilhantes que vai poder ver-se nelas. Vou mostrar-lhe mereço uma moeda.

- Para que queres tu uma moeda? – Perguntou um deles.

- Para juntar a outras moedas e um dia poder comprar um par de sapatos.

 

Desde aquele dia e todos os dias a partir dali, aqueles três soldados só me chamavam a mim para lhes engraxar as botas. Começaram a vir também mais soldados trazer as suas botas e por cada par de botas bem engraxado recebia uma moeda pequena. Sempre que os braços me doíam eu pensava nos meus sapatos e a dor passava. E foi assim que consegui o meu primeiro dinheiro para um dia mais tarde comprar o meu primeiro par de sapatos.


by anamar às 22:20

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Terça-feira, 22 de Outubro de 2013

Um elo invisível

 

(fonte: http://www.infinitylist.com/video/the-art-of-flight-w-travis-rice/)

 

É interessante perceber o quanto nos influenciamos uns aos outros. Porque hoje fui visualmente "invadida" por um conjunto de publicações de pessoas que me são importantes com músicas ou assuntos que também o são, achei que o meu pensamento era digno de ser partilhado.

 

Uma determinada música, um lugar, um filme, só terá “aquele” significado se tiver uma memória associada. E se, por vezes, conseguimos criar memórias sozinhos, a maior parte delas nasce de uma partilha. Hoje percebi que existem elos subliminares fantásticos entre as pessoas criados por essas “coisas”.

 

Existe um certo grupo musical de que eu gosto muito, os The Naked and Famous. E gosto, muito à conta de quem mo deu a conhecer. A primeira vez que os ouvi foi como banda sonora do filme The Art of Flight, que um amigo fez muita questão que eu visse. É um filme tipo documentário e andei imenso tempo até decidir vê-lo até ao fim. Mas quando finalmente o fiz, agradeci imenso ao meu amigo por o ter partilhado comigo. Parece estranho, mas proporcionou-me um conjunto de emoções muito fortes. Um sentimento de liberdade e um desejo de fazer mais e de ir mais longe, que um “obrigado” parece pouco para agradecer tal experiência.

 

Aquele som ficou para sempre vinculado àquele sentimento. As músicas passaram a ter um significado muito para além do simples prazer de as ouvir. Passaram a ter memória. Do sentimento que despertaram e da pessoa que o proporcionou. Depois disto, naturalmente não guardaria a música só para mim.

 

Uma delas passou a “habitar” o toque do meu telemóvel e, à conta disso, outros ouviram e aprenderam a gostar. Mais tarde, voltou a estar presente num momento que gerou memórias e foi nesse instante que eu passei a minha “herança”, daquele sentimento passado primeiro pelo meu amigo. A música que era, até então, especial para mim, porque já o era para alguém, passou a sê-lo para outra pessoa. A música é efetivamente um elo invisível que une as pessoas e que arrasta memórias... de umas para as outras.

 

 


by anamar às 20:16

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