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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Estou com um nervoso miudinho de quem bebeu café...

 

(imagem tirada da net)

 

Estou com um nervoso miudinho de quem bebeu café. Mas eu não bebo café à noite porque normalmente acontece uma de duas coisas. Ou não durmo, por motivos óbvios, ou tenho uma noite recheada de pesadelos. No entanto, como quase tudo na vida, isto é de fases.

 

Houve tempos em que bebia café e dormia que nem uma pedra, viva subentenda-se. Não é que me esteja a auto nomear de “calhau”, se bem que às vezes fico na dúvida se o deva fazer perante alguns pensamentos que não consigo controlar. Adiante. Bons tempos em que a única coisa que me tirava o sono era a ansiedade de poder vir a estar contigo no dia seguinte. Mas nem mesmo isso era suficientemente forte para não me deixar dormir uma noite inteira, pois sabia que se dormisse o tempo passaria mais depressa. Hoje já não é bem assim. Nunca sei com antecedência quando vou estar contigo, e quando o fico a saber, nunca sei se hei-de esperar um encontro silenciosamente mágico ou silenciosamente estranho e constrangedor.

 

Já não é mais o silêncio que me atinge, mas o que está por detrás dele. Ou o que não está mas deveria estar. É aquilo que não passa através dele, que não tem passado. É o vazio interminável que flutua entre o teu pensamento contido e o meu pensamento perdido. Formam-se então dois pensamentos distantes. Se ao menos eles se encontrassem no meio desse silêncio. O pior é que já nem sei se tentas encontrar-me no meio, de tantas vezes que falhámos. Sim, falhámos. Nem eu falhei, nem tu falhaste. Ambos tentámos muitas vezes, por isso falhámos os dois. Mas agora está cada vez mais complicada a travessia. Começar simplesmente já é algo de muito complexo.

 

Estou com um nervoso miudinho como quem bebeu café. Mas é porque me ponho a pensar demais, no que sinto, no que tenho, e no que preciso. E percebo que nenhuma das coisas se harmoniza com as outras. O que quero… neste momento só consigo querer-te comigo, independentemente das condições, mesmo sabendo que poderás vir a estar de uma forma muito ausente, deixando-me apensa com a mera ilusão da tua presença. O que sinto? Lá no fundo que talvez tudo isto por que estamos a passar tenha um fundamento que eu ainda não percebi, que talvez tudo esteja a mudar, que talvez eu tenha mesmo de saber aceitar e receber o que estiver para acontecer, com coragem e entendimento, e alguma dor que não poderei evitar. Talvez depois disso surja, e eu consiga compreender, o que preciso.

 

 


by anamar às 01:53

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6 comentários:
De bostadebovideos a 26 de Agosto de 2009 às 17:09
Olá Anamar .
A mim o café serena-me, o que me confunde, me angústia, me inquieta é o momento que antecede qualquer tomada de decisão importante, ou que apenas eu considero importante.
Outras vezes, tomar um café acre, de boa qualidade com muito pouco açúcar , cheirando-o antes de tomar, delicia-me e ajuda a ponderar, a compreender se aquilo que me angustia é de mim ou de outrem, e se é algo que me soa bem, que quero sentir em mim, ou ser em mim, ou apenas uma metáfora que quero mostrar de mim aos outros, a outrem.
Beijos de amizade


De anamar a 28 de Agosto de 2009 às 00:59
Olá!
Para dizer a verdade eu sou uma grande viciada em café, ao ponto de já ter começado também a beber café à noite, algo associado a um outro vício que arranjei, o de ler antes de dormir. E realmente, agora que penso nisso, o café na minha vida está sempre associado ou a deveres ou a prazeres... Interessante.
Obrigado pela visitinha ;)


De NEOABJECCIONISMO a 28 de Agosto de 2009 às 01:40
Anamar , já te tinha dito que foi uma surpresa, para mim encontrar alguém com este nome?
Há dias, num parque infantil ouvi alguém chamar por uma menina, Anamar , e fiquei seduzido, porque amo o nome Ana e amo o mar. A menina era de Espanha e o nome era todo pegado, tal como tu o escreves, embora eu pense que o teu vem de Ana Maria, acertei?.
O café para mim é uma fonte de prazer, não está associado, é ele mesmo e imagino que te refiras a encontros amorosos onde o café é a tua bebida preferida, ou ao stress de executar tarefas hediondas que nos encomendam e deixam os nervos em franja.
O de ler, é o vicio mais tolerável, mas deve ser exercido com luz apropriada e não deixar cansar os olhos.
Estou encantado de te conhecer e ainda não ouvi de ti que estejas angustiada da existência, o que me alegra.
Visitar-te-ei sempre enquanto mo permitires.
Um beijinho de amizade


De anamar a 28 de Agosto de 2009 às 02:00
Olá!
Devo dizer que eu é que fiquei surpreendida com este agradável comentário. No entanto tenho de salientar que o nome que escolhi para me representar na escrita do meu blog não deriva de Ana Maria... :) Lamento. Também não vou revelar agora a sua origem.
Quanto ao assunto café, também estás longe do que eu queria dizer... :) Pontaria. O café está muito presente em momentos de partilha com os amigos, é também uma paixão comum com a minha cara metade, mas acima de tudo é um elemento extremamente revitalizante para o meu cérebro, o que ajuda imenso a raciocinar e a produzir bons resultados quer no estudo quer numa qualquer outra tarefa.
Beijinho e obrigado pela visita ;)


De euempapel (Sindarin) a 30 de Agosto de 2009 às 11:43
ólá! Desculpa vir sem ser convidada. Ando a divulgar o meu livro e como tal adicionei alguns blogs para conhecer novos amigos também e estabelecer além disso novos laços de amizade. Gostei do k li acho k o último parágrafo diz k és uma pessoa consciente k no fundo sabe o porquê desse nervosismo. Crescemos, mudamos e temos de aceitar para continuar. Gostava imenso de te ter como amiga se achares k mereço. Um beijo


De anamar a 31 de Agosto de 2009 às 01:50
Olá! Obrigado pelo comentário. Novos amigos são sempre bem-vindos! ;) Volta sempre.


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